
Apenas três por cento dos estudantes inscritos votaram nas eleições para a Associação de Estudantes (AE) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da UNL. Votaram cento e setenta dos cinco mil e duzentos e treze alunos inscritos, fazendo desta a mais baixa percentagem dos últimos anos.
Catarina Costa, 19 anos, estudante do 2º ano da licenciatura de Ciências da Comunicação, foi uma das que não votou. “Soube que só havia uma lista e como não se apresentou não achei que valesse a pena”.
A presidente da AE, Patrícia Monteiro, 19 anos, no 2º ano da licenciatura de Arqueologia, defende que, durante a campanha, a lista K se afirmou. Foram distribuídos documentos e o programa eleitoral, afixaram-se cartazes, apelou-se ao voto e estiveram sempre disponíveis para discutir as propostas da lista com os estudantes. “As pessoas que faziam parte da lista, a maior parte delas, participavam em todas as Reuniões Gerais de Alunos (RGA) e trabalhavam com a antiga direcção. Não somos pessoas anónimas, sempre fomos pessoas que toda gente pôde dizer que nos viram intervir”.
“Pode não ter sido a mesma competição dos anos anteriores, visto que só havia uma lista, no entanto fizemos o nosso papel”. A presidente reforça o valor do voto, dizendo que “a lista não está à partida eleita e só faz sentido com o apoio dos estudantes”.
Catarina Costa diz que não conhece ninguém da AE, que não sabe quem é o presidente e que não deve ser função dela informar-se sobre isso. “Acho que o presidente é que devia ter a preocupação de se afirmar”, afirma, em entrevista à N. No entanto, “gostava de ser sócia porque as fotocópias são mais baratas”.
Jorge Candeias, 18 anos, aluno do 1º ano da licenciatura em Ciências da Comunicação, tem uma opinião diferente. Mal chegou à faculdade, deslocou-se à AE para fazer o cartão de sócio e começou logo a conviver com os membros da direcção. Conheceu a actual presidente e afirma que a AE “é o órgão responsável por fazer a luta, por nos representar” e que a participação de todos os estudantes é essencial para que o que a AE defende seja reflexo do que se passa na faculdade.
Quanto à falta de participação dos estudantes nas eleições, Jorge diz que o problema começa no Ensino Secundário, quando “as associações funcionam como comissão de festas”, o que faz com que “a malta chegue aqui já com uma ideia muito descredibilizada das associações”. Patrícia Monteiro, por seu lado, diz que “os estudantes não estão muito virados para a política”.
A presidente da AE defende que é com actividades como o debate e a RGA que se conseguem envolver mais estudantes na AE e fazer com que “reivindiquem os seus direitos”, o que é fundamental “para que isto funcione melhor”.
Face à pouca adesão aos debates, às RGA e ao dia de luta da passada quinta-feira, Patrícia responde que “a culpa não é dos estudantes”: “Acho que temos de fazer um grande trabalho de divulgação, mesmo à conversa com os estudantes”.
As bandeiras de luta da AE “são os problemas que tocam os estudantes”, ou não recebesse queixas e reivindicações diárias sobre as condições materiais da faculdade, o cartão Santander e a acção social escolar. Patrícia acredita que o desinteresse na luta estudantil tem a ver com o “panorama geral, sobretudo com os meios de comunicação social, porque se impulsionam muito mais valores como o individualismo e o consumismo do que o espírito colectivo, o espírito de intervenção dos estudantes”.










Se calhar foi por isso que a JCP ganhou lol
Espero que este ano haja mais votos, espero que as pessoas se movimentem mais. Isto não pode continuar assim…
Que raio de país estamos a formar? Um país onde nos deixamos levar por maiorias absolutas incontestáveis, um país onde aquele que luta contra a desigualdade é “parvo” porque se dá ao trabalho de sair do sofá e indignar-se.
Sinceramente temo pelo futuro da democracia no nosso país.
Este ano ao menos existem três diferentes listas, esperemos que haja também uma maior participação eleitoral.
Concordo com o Jorge, o total descrédito das associações de secundária, que não são mais que uma “comissão de festas” na sua generalidade, passa um preconceito muito estruturado do que será a AE da faculdade…
Parabéns Joana pelo artigo, acho que conseguiste através da conversa com os alunos demonstrar muito bem como pensa a grande maioria dos alunos da nossa faculdade…
Bom trabalho.