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Segunda-feira, 06 de Setembro de 2010

 
 

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Passageiros de cuecas no Metro


No Pants - Lisboa 09 from revistan on Vimeo.

Os passageiros do metropolitano de Lisboa foram surpreendidos por 40 pessoas impávidas que despiram as calças no passado sábado, dia dez de Janeiro. A viagem em cuecas começou por volta das 16 horas na gare do Campo Grande e prolongou-se até à Baixa-Chiado, em dois comboios.

Diz o “agente Somos”, da ImprovLisboa, que se despiram as calças “para provocar sorrisos e reclamar o espaço público”. Desta vez foi ele o agente que organizou a iniciativa e encaminhou quem apareceu no ponto de encontro, junto à estação de metro de Telheiras, para a Linha Verde. “Dispam as calças e saiam”, explicou ao grupo.

Aparentemente sem saberem da existência uns dos outros, cada um dos agentes convocados para esta missão despiu as calças. Como se fosse um dia de Verão muito quente e não uma tarde de temperaturas baixas dignas de recordes, assim ficaram, de cuecas, a ler, a falar ao telemóvel ou a ouvir música. “Se perguntarem, digam que estavam com calor ou que não estavam confortáveis” apelou o “agente Somos” no briefing da missão.

Os restantes passageiros, surpreendidos, sorriam e comentavam. Havia quem mudasse de lugar para “ver melhor”, como justificou um passageiro, e quem gritasse elogios ou insultos. Desde “belo rabo!” a “deviam levar um enxerto de porrada”, os 40 agentes sem calças ouviram de tudo e mantiveram-se concentrados na sua missão: não desmanchar a personagem, não rir.

Algumas pessoas conjecturavam justificações para o que acontecia, desde uma campanha publicitária a uma partida para os apanhados. Em entrevista à N, o “agente Somos” comenta que são estas as reacções que espera que façam as pessoas pensar, ”porque o espaço público lhes pertence e não aos publicitários e serve para o que quiserem”.

Para os participantes, a iniciativa foi “espontânea e divertida” mas, acima de tudo “inofensiva”. Como explica o blog do colectivo, a roupa interior não mostrava “mais que um fato de banho” porque “não se incomoda as pessoas com nudez alheia”.

A iniciativa foi organizada pela primeira vez no metropolitano de Nova Iorque, em 2002, pela ImprovEverywhere e aconteceu no mesmo dia em mais de 20 cidades. A ImprovLisboa é “um grupo que causa situações de caos e alegria no dia cinzento dos habitantes de Lisboa” e já organizou outras iniciativas, como a luta de almofadas na Alameda Afonso Henriques e uma sessão de compras em câmara lenta numa loja da cidade.

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Comentários:

Existem 3 comentários a este artigo.

  1. Gonçalo Braz em 16 de Janeiro de 2009:

    Digo desde já que quando o video me foi mostrado fiquei curioso como o nome. Durante o decorrer do video, ao ouvir o “agente Somos” e ao ver as imagens, veio-me imediatamente um sorriso à cara. Foi engraçado reconhecer algumas caras mas foi mais engraçada ainda a ideia da missão.

    Agir com normalidade enquanto se demonstra um visual pouco ortodoxo para observar reacções. Dou desde já os parabéns a todos os participantes pela genialidade e iniciativa. É bom ver coisas acontecerem, sejam de que tipo for. Estimula a mente e dá saúde, dizia a minha avó.

  2. Diogo Guerra em 16 de Janeiro de 2009:

    Gostei bastante da entrevista, especialmente a ideia de no vídeo colocar o “briefing” do “Agente Somos” a ouvir-se por de trás das imagens está muito boa.
    Os meus parabéns à reporter :).

    Quanto à iniciativa em si, só tenho a aplaudir, uma vez que o objectivo é pura e simplesmente quebrar a monotonia e fazer alguns sorrisos. Ora aí está um bom motivo para fazer seja o que fôr.

  3. Tiago em 17 de Janeiro de 2009:

    vai que não vai e isto pega…:)

    Devia ser criada um ImprovUNL…a nossa faculdade parece não ter espirito, e isso e é mau…

    E se no meio de tanta gente que se assume criativa e “de humanidades”, gostava de ver o que acontecia

    Parabéns pela reportagem…explica muito bem o que foi à acção e quem é o movimento…

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