Na noite anterior ao primeiro dia de estágio mal consegui dormir. Questionava-me quase sobre quem deveria ser, como deveria agir, como havia de desempenhar o meu papel num sítio no qual me senti, desde logo, tão à vontade. O querer-bem o local ajudou a integração e certamente dificultará a despedida, mas depois de um mês e sabendo ainda tão pouco, sinto-me bem longe dessa última jornada.
Por agora, aprendi como a humildade, o interesse e a dedicação podem facilitar muito as primeiras abordagens com os primeiros colegas de profissão. A necessidade de encontrar um equilíbrio parece-me a chave para desenvolver um período de estágio verdadeiramente profícuo, porque afinal, muita humildade pode parecer insegurança, o contrário é arrogância. Demasiada simpatia pode parecer falsidade, pouca é antipatia. A certeza de que nunca haverá um lugar ali para ti, é pessimismo e descrença, acreditar que podes já ajustar a cadeira à tua medida é, nos dias que correm, e seja onde for, irrealidade.
Sinto, contudo, que posso ter já encontrado o meu lugar num mundo ao qual ainda não me habituei. A quantidade de informação que uma redacção recebe diariamente – na sua larga maioria pouco dignificante para os Homens que o habitam – ao início quase pareceu querer levar a melhor sobre mim, mas perseverei. É difícil sentir que aquilo que fazes pode ajudar, que fazes de facto a diferença, mas se não for baseado nessa certeza, não vejo futuro naquilo que escolhi para fazer na vida. Sinto nos mais jovens, como em mim, o espírito de quem quer dar o melhor de si pela profissão e aí sei que tenho de fazer bem o meu trabalho. Que o vou fazer. Porque se este foi mesmo o amor que eu escolhi, como posso amar erradamente?










Muito bom texto!
É precisamente essa a atitude que todos os estagiários devem levar consigo.
Que o vazio (aparente) da alma jamais se traduza numa indiferença através de palavras. Carragada de emotividade, a mensagem é estensiva à possibilidade de “formatar” um estilo de vida. Parabéns.