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	<title>Jornalismo de Ciência</title>
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	<description>Universidade Nova de Lisboa</description>
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		<title>Poluição aumenta mortalidade no Porto</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Apr 2012 10:29:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aluno</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A poluição transportada pelo ar na Área Metropolitana do Porto está associada a um aumento da mortalidade e do risco de doença para a população local. A conclusão é de um estudo publicado em Abril de 2011 na revista Environmental Research e que investiga, pela primeira vez, as consequências da poluição existente no Porto para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A poluição transportada pelo ar na Área Metropolitana do Porto está associada a um aumento da mortalidade e do risco de doença para a população local. A conclusão é de um estudo publicado em Abril de 2011 na revista Environmental Research e que investiga, pela primeira vez, as consequências da poluição existente no Porto para a saúde dos seus habitantes.</p>
<p>De acordo com os investigadores, o ozono e as partículas PM10, poluentes comuns em zonas urbanas, são os responsáveis pelos efeitos nocivos para a saúde, e ambos foram associados a um aumento da mortalidade não acidental, nomeadamente na população idosa.<br />
O ozono, formado a partir de combustíveis, entre outras origens, foi também associado a um aumento de mortes por doença cardiovascular. Quanto às PM10, Sofia Pinto de Almeida, autora principal do estudo, explica que “têm a particularidade de poder atingir os pulmões, aumentando a incidência de doenças respiratórias”.</p>
<p>A concentração destes poluentes aumenta com temperaturas elevadas, pelo que os meses mais quentes apresentam um risco acrescido. Por isso, a investigadora aconselha: “Durante os meses de Verão, as pessoas mais vulneráveis, como idosos, crianças e indivíduos com doenças respiratórias, devem evitar as horas de maior exposição solar, onde existe uma maior probabilidade de formação de episódios de excedência dos níveis seguros de exposição” a estes poluentes.</p>
<p>Com mais de um milhão de habitantes, a Área Metropolitana do Porto é a segunda maior área urbana de Portugal e as temperaturas estivais são habitualmente elevadas, aumentando os riscos envolvidos na exposição ao ozono e às partículas PM10. Para combater os efeitos associados a estes poluentes, Sofia Pinto de Almeida considera que “é necessário tomar medidas a curto prazo que diminuam as fontes percursoras de ozono e de PM10, como a diminuição do uso de combustíveis fósseis”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Julie Oliveira</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Ervas marinhas em perigo em Portugal</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Apr 2012 10:27:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aluno</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As ervas marinhas, essenciais para a saúde dos ecossistemas marinhos, sofreram uma redução “dramática” nos últimos 20 anos em Portugal, e existe mesmo uma espécie que pode desaparecer por completo, caso não sejam tomadas medidas para combater a tendência. Estas são as principais conclusões do primeiro censos de ervas marinhas em território nacional, publicado na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As ervas marinhas, essenciais para a saúde dos ecossistemas marinhos, sofreram uma<br />
redução “dramática” nos últimos 20 anos em Portugal, e existe mesmo uma espécie<br />
que pode desaparecer por completo, caso não sejam tomadas medidas para combater<br />
a tendência. Estas são as principais conclusões do primeiro censos de ervas marinhas<br />
em território nacional, publicado na revista científica Aquatic Botany, em Setembro de<br />
2011.</p>
<p>O estudo confirmou que Portugal não escapa à tendência para o declínio deste habitat,<br />
verificada em muitos outros pontos do mundo, e permitiu quantificar a distribuição<br />
de ervas marinhas na costa portuguesa. De acordo com Alexandra Cunha, autora<br />
principal do estudo, “a diminuição da sua cobertura deve-se sobretudo ao aumento<br />
das actividades humanas na costa e estuários.”</p>
<p>Das três espécies encontradas, uma delas, a Zostera marina, é a mais escassa e está<br />
mesmo em perigo de extinção. Os padrões de evolução e estados de conservação são,<br />
no entanto, diferentes consoante a espécie. A Zostera noltii, por exemplo, continua a<br />
ser a mais abundante, apesar de, em certos locais, ter sofrido uma redução de 75 por<br />
cento. Quanto à terceira espécie, Cymodocea nodosa, o seu estado de conservação é<br />
considerado incerto.</p>
<p>Para além de servirem de alimento a muitos animais marinhos, as ervas marinhas<br />
protegem as praias e a costa das tempestades, ao prenderem as areias e os lodos,<br />
segundo explica Alexandra Cunha. A investigadora salienta que “funcionam como<br />
filtro biológico, contribuindo para manter a água do mar com boa qualidade”, e são<br />
inclusive “excelentes esconderijos contra os predadores, onde muitas espécies com<br />
interesse comercial podem crescer antes de ir para outras zonas do mar, como o<br />
polvo, o choco, caranguejos ou [algumas espécies de] peixes”.</p>
<p>Sendo esta a primeira vez que as ervas marinhas foram recenseadas em Portugal, “o<br />
alerta para a situação de conservação desfavorável, bem como os mapas de<br />
distribuição actual das pradarias marinhas, foram enviados para várias instituições<br />
com responsabilidades de gestão costeira no nosso país”. Alexandra Cunha considera<br />
que “as pradarias marinhas têm tido muito pouca atenção da parte das entidades<br />
gestoras da costa portuguesa, estuários, e lagoas costeiras”.</p>
<p>Tendo em conta o mau estado de conservação das ervas marinhas, a investigadora<br />
julga ser necessário “fazer a avaliação de impacte ambiental sobre as<br />
populações, sempre que estiverem em causa projectos em locais onde há pradarias,<br />
nomeadamente quando são necessárias dragagens, abertura de barras, construção de<br />
marinas e portos”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Julie Oliveira</p>
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		<title>Susana Fonseca: uma mulher pouco consensual</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Apr 2012 10:05:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aluno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Perfil]]></category>

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		<description><![CDATA[Peças de artesanato regional quebram a simplicidade das cómodas e estantes de linhas minimalistas, recordando viagens de Norte a Sul do país. Numa divisão transformada em escritório, multiplicam-se os livros nas estantes e os lápis de carvão que foram sendo oferecidos, reunidos num copo pousado na mesa de escrever. Tudo está no seu lugar. Há [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/04/Image-susana-fonseca.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-689" title="Susana Fonseca" src="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/04/Image-susana-fonseca-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" /></a>Peças de artesanato regional quebram a simplicidade das cómodas e estantes de linhas minimalistas, recordando viagens de Norte a Sul do país. Numa divisão transformada em escritório, multiplicam-se os livros nas estantes e os lápis de carvão que foram sendo oferecidos, reunidos num copo pousado na mesa de escrever. Tudo está no seu lugar. Há apenas uma excepção à regra: lápis de cor, livros coloridos de cartão grosso e brinquedos vários brotam dos tons neutros que dominam a sala principal da casa.</strong></p>
<p>Mãe, socióloga, e ambientalista de corpo e alma, Susana Fonseca foi a primeira mulher presidente da Quercus, a maior Organização Não Governamental de Ambiente (ONGA) em Portugal. Hoje em dia, participa em vários projectos de investigação enquanto continua a realizar o doutoramento, todos na área ambiental. Mas não se tratou de realizar um sonho de infância. A vocação que viria a determinar o seu rumo profissional surgiu mais tarde.</p>
<p>Susana Fonseca cresceu numa família humilde do Seixal que não tinha as preocupações ambientais no topo da lista de prioridades. Recorda que “se desligava a luz quando não era necessária, nunca se deixava a água a correr e não desperdiçar comida era uma questão moral”. Mas foi na escola que surgiu o interesse por questões ambientais e a afirmação de atitudes pelas quais a conhecemos hoje.</p>
<p>O momento decisivo deu-se no 11º ano, quando a escola organizou um projecto de recolha de papel. Enquanto a iniciativa durou, os papéis eram religiosamente reunidos em casa para depois serem levados para a escola e colocados num contentor para o efeito frente à sala dos professores. “[Dei-me conta do] desperdício que é o facto de não aproveitarmos recursos que podem ser aproveitados”, recorda. “Esse projecto desapareceu e o papel teve que ir para o lixo, não houve hipótese.”</p>
<p>Passaram anos até que o Seixal tivesse um sistema de recolha selectiva, já Susana Fonseca era estudante universitária. No entanto, a recolha só contemplava o vidro e o papel, excluindo as embalagens. Não foi problema. “Na altura, o barco do Seixal ia para o Terreiro do Paço, onde havia um contentor para embalagens, então levava-as de barco para Lisboa.”</p>
<p>Estudante de Sociologia no ISCTE, Susana Fonseca encontrou um escape para as suas preocupações ambientais: um grupo de estudantes dedicados à mesma causa, que conheceu durante uma pequena feira organizada pela faculdade. Foi a primeira vez que participou num grupo ambientalista. A também socióloga Ana Horta, actual colega de investigação e, na altura, membro do mesmo grupo de ambiente, lembra-se de Susana Fonseca como uma pessoa “determinada em fazer alguma coisa pelo ambiente e com convicções muito fortes.”Não foi o caso de “algumas pessoas que impulsionaram o grupo, que se veio a descobrir que procuravam projecção. Uma coisa que me impressiona muito na Susana é a sua honestidade: ela está ali mesmo para aquilo, não tem outras motivações”.</p>
<p>Os sucessivos obstáculos enfrentados pelo grupo universitário acabaram por desgastar alguns. Mas “a Susana era uma espécie de locomotiva que arrastava os outros”, recorda Ana Horta. Aliás, apesar de ser mais nova, acabou por tomar o lugar de colegas mais velhos que estavam à frente do grupo. E com o fim do projecto, veio um novo início. “Quando tivémos que acabar com o grupo porque o projecto já não conseguia avançar, a Susana aderiu à Quercus e foi trabalhando na associação, até que chegou a presidente”.</p>
<p><strong>A primeira mulher presidente da maior ONGA portuguesa</strong></p>
<p>Em 2009, Susana Fonseca era vice-presidente da Quercus e a lista da continuidade tinha-a escolhido para a presidência. Mas esta foi uma eleição que ficou para a história da associação, já que foi a primeira vez que duas listas se apresentaram. “Porque eu não sou uma rapariga muito consensual”, explica Susana Fonseca.</p>
<p>“Sempre fui muito frontal e acho que isso não foi bem aceite”, recorda. “Houve algumas situações em que havia pessoas que defendiam aquilo que me parecia serem interesses pessoais, não deles, mas de outras pessoas da associação.” A sua atitude valeu-lhe a resistência de certos membros da Quercus, que se opuseram a que assumisse o cargo. “Tive surpresas muito desagradáveis”, conta. Mas depois da tempestade, veio a acalmia. “Não cultivo inimizades nem vinganças, fico logo cansada.”</p>
<p>Nuno Sequeira, actual presidente da associação, foi vice-presidente durante o mandato de Susana Fonseca. Destaca a “sintonia” existente entre os membros da equipa, que se acrescentou às qualidades profissionais de Susana, “uma pessoa competente e responsável, muito motivada para a área do ambiente”. Durante o mandato, Nuno Sequeira considera que “conseguiu unir a associação, e, com o passar do tempo, mostrar que era a pessoa certa para o cargo.”</p>
<p>Em Março de 2009, altura da eleição, Susana Fonseca estava grávida de nove meses. Aliás, não tinha a certeza de poder estar presente no momento oficial da passagem de testemunho porque a filha, Ana, tinha nascido uma semana antes. Mesmo assim, acabou por ir à Assembleia Geral para receber as honras. “O parto correu bem e não estava muito debilitada. Além disso, quando há outra parte a criar dificuldades, uma pessoa parece ganhar mais energia”, justifica.</p>
<p>Quanto ao facto de ter sido a primeira mulher presidente daquela que é a maior ONGA em Portugal, Susana considera que o seu género até pode ter jogado a seu favor: “Penso que ser mulher e ter um ar simpático ajuda a amenizar algumas coisas que eu, por vezes, tenho que dizer.” Mas essa nunca foi uma questão que a preocupasse no seio da associação, onde considera que a escolha do presidente “é uma questão de perfil e de disponibilidade”.</p>
<p>Apesar não existirem barreiras formais ao cargo, para a socióloga, “as mulheres assumem ainda grande parte da educação dos filhos”. Foi essa, aliás, uma das razões que a levou a abandonar a presidência depois de cumprido o seu primeiro e único mandato, apesar de, na altura, se pensar que poderia continuar. “Socialmente, somos mais penalizadas, quer na disponibilidade profissional, quer em termos associativos e de voluntariado. Pode haver uma selecção natural.” Por considerar que “se uma coisa tem que se fazer, faz-se”, no caso de Susana, as circunstâncias ditaram que assumisse “praticamente todas as funções do quotidiano”. Mas acrescenta que “as mães também têm um papel activo no afastar dos pais. E depois, eles nunca fazem as coisas como nós queremos”, conta, com um riso aberto e sonoro.</p>
<p>Outra mudança do contexto familiar também pesou na decisão de se afastar do cargo de presidente da Quercus. Durante o mandato, a mãe de Susana faleceu. Do ponto de vista profissional, foi uma ajuda que perdeu, “o tal pilar de apoio para que as mães possam ter um desempenho diferente”. Do ponto de vista pessoal, Mário, companheiro de Susana e pai da Ana, conta que, “mesmo que ela tenha dificuldades, é difícil perceber isso directamente. Tenta separar as situações, da mesma maneira que não traz os problemas do trabalho para casa, por exemplo.”</p>
<p>E as actividades em que divide o seu quotidiano poderiam ser, cada uma, uma ocupação a tempo inteiro. “Quero ter tempo para a Ana, quero acabar o doutoramento, quero dedicar-me também à minha profissão [de socióloga], não me retirando da Quercus”. Algures no meio, “tem que haver tempo para as minhas aulas de Ioga”, uma modalidade que pratica há vários anos e que valoriza sobretudo pelo relaxamento que lhe proporciona. Confessa que houve alturas em que a falta de tempo obrigou a que fossem estabelecidas prioridades. “Mas não descuro a minha parte familiar porque considero que é o pilar fundamental”.</p>
<p><strong>Ana, a menina dos seus olhos</strong></p>
<p>Com 37 anos e uma vida preenchida, Susana já decidiu que não pretende ter mais filhos. Mas não desiste de convencer o irmão a ter filhos também, para que a Ana tenha pelo menos um primo ou uma prima, alguém próximo e da mesma geração com quem possa conviver. “E penso no Natal, quando ela for grande, se não tiver primos nem irmãos”, exclama. Há remédio: “Tem que arranjar um namorado com uma família grande para conseguirem ter o espírito natalício”.</p>
<p>Apesar de esta ser a altura mais consumista do ano, Susana vê no Natal sobretudo uma oportunidade para juntar a família mais próxima. E para ter uma árvore em casa, cheia de luzinhas coloridas. “É a única altura do ano em que deixo luzes decorativas a funcionar”. Os excessos são raros mas acontecem, sobretudo à mesa. Porque em relação às prendas, cada um recebe uma, e só se precisar de alguma coisa. “Só a Ana é que escapou a essa lógica”, confessa. “Mas tudo coisas úteis”, exclama de seguida. Susana concede que “é muito mais difícil resistir ao consumismo para as crianças. Há tantas coisas tão bonitas e tudo fica lindo nas nossas crianças”, afirma, embevecida.</p>
<p>Também e sobretudo quando se trata da Ana, a faceta ambientalista de Susana mostra a sua garra.   Mário reconhece que, com a chegada da filha, o afinco com que Susana se dedica a tomar as opções mais ambientalmente sustentáveis se redobrou. Muitos dos cuidados a ter, aprendeu-os por proactividade. Mas como o tema dos químicos sempre lhe suscitou um interesse especial, tem a vantagem de conhecer bem o tema. “Há três anos atrás, a realidade era completamente diferente. Lembro-me de ter conversas surreais [numa loja de produtos para bebés]. Eu queria saber se os biberons tinham Bisfenol A, PVCs, etc&#8230;e eles respondiam-me que cumpriam as normas de segurança, o que me serve de muito pouco”, recorda. Hoje em dia, a marca em questão já tem uma linha específica de produtos isentos de Bisfenol A, por exemplo.</p>
<p>No caso da alimentação, Susana tenta, sempre que possível, optar por produtos biológicos, para limitar ao máximo a ingestão de pesticidas. É por isso que, quando a Ana vai para a creche, lhe prepara uma lancheira com fruta e iogurte biológicos. “Para mim, é natural pensar nestas coisas.  Não é um peso. Às vezes, quando começo a falar, as pessoas podem achar que sou um pouco&#8230;mas não me importo muito com isso.”</p>
<p>Apesar das questões que se põem quando se trata da saúde da Ana, Mário conta que, depois do nascimento da filha, “a Susana passou a ser mais permissiva com algumas coisas. Ela gosta de regras e de planear tudo mas, com uma criança, isso acaba”. E se Susana insiste em prever tudo ou quase, incluindo calcular itinerários sempre que viajam juntos, nem sempre foi assim.</p>
<p><strong>Se queremos ir, vamos</strong></p>
<p>Lina Menaia conhece Susana desde a adolescência. Foi há mais de vinte anos que o grupo de amigos da altura, alguns dos quais ainda hoje se encontram, se juntava em casa de um ou de outro. “A Susana sabia fazer muito bem panquecas. E estavamos ali na conversa”, recorda a amiga. A escola, a vida, os sonhos e as ambições estavam na ordem do dia. No caso de Susana, o tema do ambiente esteve sempre presente, e tentava, pela mesma ocasião, sensibilizar os amigos para a questão. “Sabe ser muito persuasiva”, exclama Lina Menaia, rindo-se.</p>
<p>“A Susana sempre nos desafiou muito para ir a tal ou tal parte”. Com 19 ou 20 anos, fizeram uma viagem memorável ao Gerês. “A Susana tinha arranjado o contacto de uma casa que tinha sido de um guarda florestal”. Quanto à forma de lá chegar, assegurou-os de que haveria transporte público. Depois de uma viagem atribulada que implicou várias escalas, chegaram perto do destino, mas não o suficiente. Não eram cinco como um certo grupo que protagoniza uma série de livros para crianças. Eram 13. “Por acaso arranjámos uma carrinha de caixa aberta para nos dar boleia e que, no dia combinado, nos foi lá buscar”, conta Lina Menaia, enquanto vai soltando umas gargalhadas.</p>
<p>Esta foi apenas uma de muitas aventuras vividas entre o grupo de amigos, que também fez campismo selvagem, foi para os Picos da Europa sem prever a dormida, passou vários dias em Santiago de Compostela com a mesma roupa por não ter imaginado que chovesse em Agosto, e a lista continua. “Sobrevivemos”, exclama Lina, intercalando o discurso com riso. “Quando queremos ir a um sítio, fazemos tudo por isso.”</p>
<p>Entretanto, os anos passaram. “Demos todos rumo à vida, e fomos conseguindo realizar os sonhos que tínhamos”, afirma. A diversão e o espírito aventureiro com que aproveitavam o tempo de folga não roubou importância aos estudos. “Uns eram mais aplicados do que outros, a Susana mais, mas sem esquecer a parte lúdica”. No entanto, cada coisa a seu tempo. Lina Menaia vê na amiga “uma pessoa muito cumpridora. Se é para divertir, é para divertir. Se é para trabalhar, é para trabalhar.”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Julie Oliveira</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Fungos: Natureza 2.0</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Apr 2012 10:01:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aluno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Pequenas placas amarelas chamam a atenção para a exposição Cogumelos e Outros Fungos. Sem elas, dificilmente seria possível adivinhar o mundo insuspeitado que se esconde na pequena estufa antes usada para palmeiras, camuflada pela terra que se foi depositando no seu toldo ao longo do tempo. “Os fungos dão a volta ao planeta. Nós pensamos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/04/Photo0055.jpg"><img class="size-medium wp-image-677 alignleft" title="Cogumelos e outros fungos" src="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/04/Photo0055-300x225.jpg" alt="" width="192" height="144" /></a>Pequenas placas amarelas chamam a atenção para a exposição Cogumelos e Outros Fungos. Sem elas, dificilmente seria possível adivinhar o mundo insuspeitado que se esconde na pequena estufa antes usada para palmeiras, camuflada pela terra que se foi depositando no seu toldo ao longo do tempo.</p>
<p>“Os fungos dão a volta ao planeta. Nós pensamos que inventámos a internet, mas há muito tempo que os fungos funcionam em rede”, explica Ireneia Melo, investigadora e directora do Jardim Botânico do Museu de Nacional de História Natural e da Ciência. “Já se descobriu que eles comunicam”, exclama, com um entusiasmo quase juvenil, num intervalo entre conversas com os visitantes da exposição sobre alguns mistérios da vida que se esconde debaixo dos nossos pés sem darmos por isso. “Os fungos vivem a maior parte do tempo no subsolo e parecem fitinhas, chamadas hifas. De vez em quando, vêm à superficie para a reprodução sexuada”, formando os cogumelos.</p>
<p>No silêncio do Jardim Botânico, pontualmente interrompido pelos gritos de papagaios empoleirados algures nas árvores mais próximas, vão entrando espaçadamente visitantes para a exposição. No interior da antiga estufa, lâmpadas acesas compensam a falta de luminosidade natural, e três tabuleiros estão alinhados, cada um com cerca de cinco metros de comprimento por um de largura, a recriar em miniatura três tipos de habitats onde se podem encontrar cogumelos: o pinhal, o sobreiral e a mata mista. “Vejam estas cores maravilhosas”, lança a investigadora. Os tons quentes desta paisagem são, no entanto, efémeros, e daí que a exposição tenha decorrido apenas entre os dias 1 e 7 de Dezembro. É que os cogumelos existem apenas durante algumas semanas do ano, nomeadamente depois das chuvas, e, consoante os anos, encontram-se espécies diferentes.</p>
<p><strong>O mais famoso de todos</strong></p>
<p>A cerca de um metro do chão, os tabuleiros aproximam do olhar estes pequenos organismos, que tantas vezes passam despercebidos quando estão ao nível do solo. Aliás, apesar de  surpreenderem a maioria dos visitantes pela diversidade de cores e formatos, todos os cogumelos presentes nesta exposição foram recolhidos num raio de 20 km. Por entre as plantas características que foram acrescentadas para oferecer a simulação mais fiel possível da realidade, encontramos cogumelos brancos como neve que se desfazem em tinta preta, em tempos usada para escrever, ou ainda cogumelos castanho-claro que ficam verdes ao toque.</p>
<p>Mas a estrela da festa é outra: a Amanita Phalloides. Esta espécie de cogumelo, encontrada em sobreirais, é uma das mais venenosas em território nacional e “comer um bocadinho do tamanho da ponta de um dedo dá-nos cabo do fígado. Se a pessoa não for submetida a um transplante, morre”, alerta Ireneia Melo. O risco é aumentado pelo  facto de ser parecida com uma espécie comestível, o Tricholoma equestre, vulgarmente conhecido como tortulho ou míscaro amarelo. Daí a Amanita Phalloides estar na origem da maioria dos casos de morte por envenenamento com cogumelos. Um dos elementos que distingue as duas espécies é o facto de o cogumelo venenoso ter uma espécie de saia branca por baixo do chapéu, chamada anel, e outra na base, virada de cima para baixo, chamada volva, ambas podendo desaparecer quando o fungo chega à cozinha, ficando indistinguível do míscaro amarelo para quem é leigo na matéria.</p>
<p>Alheia à semelhança, uma mulher, de óculos pendurados na ponta do nariz, percorre lentamente o sobreiral, e detém-se ao nível da Amanita Phalloides. “Eu gosto daquele”, diz, referindo-se às qualidades gastronómicas do cogumelo. José Cardoso, técnico do Jardim Botânico há 45 anos e co-organizador da exposição, está atento à cena. “Aponte melhor”, lança. A mulher obedece ao pedido. “Esse é um dos cogumelos mais mortais que existem”, acrescenta o técnico. Tirando os óculos de repente, a mulher vira-se para José Cardoso como que em sobressalto. “Eu pensava que seria vermelho”, exclama, com os olhos redondos de surpresa.  “Bem, a partir de agora vou ter muito mais cuidado. É  que eu tinha um certo à vontade com os cogumelos brancos”, afirma, aliviada, como se tivesse acabado de evitar a tragédia.</p>
<p><strong>Mais do que cogumelos</strong></p>
<p>A diversidade está à vista de todos. No entanto, “esta exposição tem que ser explicada”, realça a investigadora, para quem um dos principais objectivos é transmitir informações sobre estes organismos. Umas estão mais relacionadas com a vida quotidiana: é o caso dos riscos envolvidos no consumo de certos cogumelos, indicados nas etiquetas que identificam as espécies, através de bolinhas verdes (comestíveis), amarelas (sem valor nutricional) e vermelhas (venenosos). Outras são simplesmente curiosidades. “Sabia que o maior organismo vivo do mundo é um fungo?”, questiona Ireneia Melo. Em 2000, a notícia percorreu o mundo. Segundo conta a investigadora, a descoberta foi feita por um piloto que, do ar, notou uma zona de vegetação distinta da restante. Os factos relatados na altura foram que esse fungo, da espécie Armillaria Ostoyae, vulgarmente conhecida como cogumelo de mel, foi encontrado nas Montanhas Azuis, no Estado norte-americano do Oregon, cobriria uma área de 890 hectares, quase 250 vezes a dimensão do Terreiro do Paço, em Lisboa, e teria pelo menos 2400 anos.</p>
<p>Perante o misto de estranheza e fascínio nos olhares curiosos de quem se aproxima para ver melhor, qualquer indício de familiaridade é digno de nota. A vista roça o mítico. “Qualquer um destes cogumelos poderia fazer parte de um conto de fadas. Não é difícil imaginar um anãozinho a viver dentro de um destes cogumelos mais gordos”, exemplifica Ireneia Melo.</p>
<p>Entretanto, espécies menos conhecidas servem de divertimento às crianças que por ali passam. É o caso da Lycorperdon Perlatum, vulgarmente chamada bufas de lobo por libertar uma nuvem de esporos por um orifício localizado no chapéu. “Os esporos são como se fossem sementinhas que estão nos cogumelos e, de cada vez, são libertados aos milhares”, explica a investigadora a uma criança, gesticulando como quem imita uma explosão. José Cardoso entra no espírito: “Os miúdos gostam muito quando a gente brinca e diz que é um comboio”, afirma, dando um toque brusco no cogumelo para provocar a libertação da nuvem.</p>
<p>No entanto, nem todos os visitantes partilham o mesmo interesse. Ao sair da exposição, de olhos pregados no chão enquanto pontapeteia as pedras no caminho, um miúdo diz ao pai: “Quando vires um cogumelo, pisa-o”. Não falou muito alto,  mas o suficiente para Ireneia Melo o ouvir, estando apenas alguns metros atrás dele. “Não faças isso, senão depois não podemos fazer exposições”, exclama a investigadora. Ao que a criança retorque, sem se virar para trás: “Mas são perigosos”. A reposta não se fez esperar: “As facas também são perigosas e não é por isso que deixamos de as ter em casa.”</p>
<p>A atitude não perturba a investigadora. Ao longo do dia, Ireneia Melo vai percorrendo lentamente o espaço, respondendo a perguntas, e explicando o que são fungos, sem se esquecer de mencionar o papel que têm nos ecossistemas: “Reciclam a matéria orgânica, tornando os nutrientes utilizáveis pelas plantas. Caso contrário, a Terra estaria enterrada em matéria morta, por não ser reutilizada”. Em resumo, “Se não fossem eles, nós não existíamos”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Julie Oliveira</p>
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		<title>Lobo Ibérico: o último grande predador em Portugal</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Apr 2012 09:56:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aluno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reportagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Fazendo estalar as pequenas pedras com a sola dos seus sapatos, os visitantes vão subindo vagarosamente a encosta por trilhos de terra batida enquanto tentam avistar um lobo nos cercados adjacentes, que podem atingir os 13 mil metros quadrados. No interior das cercas, a vegetação rasteira contrasta com zonas arborizadas e arbustos cerrados. O silêncio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fazendo estalar as pequenas pedras com a sola dos seus sapatos, os visitantes vão subindo vagarosamente a encosta por trilhos de terra batida enquanto tentam avistar um lobo nos cercados adjacentes, que podem atingir os 13 mil metros quadrados. No interior das cercas, a vegetação rasteira contrasta com zonas arborizadas e arbustos cerrados. O silêncio denuncia a concentração dos observadores, quebrada apenas quando Ruiva, uma gatinha preta sarapintada de laranja que gosta de visitar a propriedade, recorda ocasionalmente a sua presença com um miar suave e agudo.</p>
<p>“Nem sempre se conseguem ver lobos”, alerta Francisco Petrucci-Fonseca, biólogo, professor na Universidade de Lisboa e presidente do Grupo Lobo, a associação não governamental que gere o Centro de Recuperação do Lobo Ibérico, a cerca de 30 minutos de Lisboa. É aqui que são acolhidos lobos que não podem viver em liberdade. “Salvamos indivíduos que, de outra forma, seriam abatidos, e enquanto eles aqui estão, ajudam-nos a mostrar o que é o verdadeiro lobo”.</p>
<p>O conhecimento que se pretende transmitir no centro de recuperação serve também o propósito de desconstruir mitos como o de que os lobos atacam pessoas, quando “eles fogem se houver uma pessoa ou algo que denuncie a presença de um humano”. Em última instância, “mitos, lendas e histórias têm todos um espaço na nossa formação. As pessoas é que têm que decidir se o lobo que existe na realidade é o lobo das histórias, ou se é o lobo que nós, biólogos e outros estudiosos, mostramos à comunidade.” Animais curiosos mas também desconfiados, raramente se deixam ver. Hoje é um dia de sorte.</p>
<p>Os olhos treinados do professor, ajudado por uma voluntária que o acompanha, chamam a atenção para uma mancha vagamente perceptível a cerca de 100 metros de distância, em terreno descendente. Os olhares dos visitantes, até então dispersos na esperança de avistar um lobo, convergem agora para onde aponta Francisco Petrucci-Fonseca. Parece um arbusto ao olhar insuspeito, mas o professor insiste. A atenção redobra-se. Nada. Até que o lobo sacode a cabeça, deixando avistar o contraste entre o topo da cabeça, de uma pelagem escura, e o queixo, mais claro. “Está ali”, exclama o grupo num coro descoordenado, identificando Sabor, um macho vindo da Galiza.</p>
<p>O grupo segue colina  acima, serpenteando a propriedade enquanto passa por outros cercados. Depois de imitar alguns sons característicos do lobo, o professor avista Faia, uma jovem fêmea, comunicando a descoberta aos restantes. Mais uma vez, nada. É apenas quando a loba se move que o grupo se apercebe da proximidade a que o animal se encontra. A meros 15 metros, Faia deixa-se ver durante alguns segundos, fixando os olhos dourados nos curiosos, desaparecendo nos arbustos de seguida.</p>
<p>Por ser Inverno, os lobos avistados durante a visita ao centro de recuperação ostentam uma pelagem farta que, ao nível do pescoço, se assemelha a uma juba. O aspecto majestoso da espécie serve, aliás, de cartão de visita para certas zonas de Portugal, onde o lobo ibérico ainda existe em estado selvagem. São apenas cerca de 300 animais em todo o território nacional, concentrados na região Norte, e a espécie está classificada como em perigo em Portugal.</p>
<p><strong>Na origem do declínio</strong></p>
<p>O lobo ibérico corre hoje o risco de desaparecer, tendo passado de vários milhares a poucas centenas em algumas décadas. Por entre as principais razões está a perseguição directa pelo homem, que mata os animais a tiro, os envenena ou tira as crias das tocas, entre outros métodos. Francisco Petrucci-Fonseca acrescenta que, para além de afectar a população lupina, “o veneno é uma ameaça para todas as espécies”, por qualquer animal se poder ir alimentar do isco envenenado.</p>
<p>Existe também falta de presas naturais, como o corço, o veado e o javali. Para se  alimentar, o lobo recorre, por vezes, à predação de gado, em zonas de criação em regime extensivo, em que os animais são deixados a pastar, por exemplo. Quando existe um ataque de lobo, o Estado indemniza os pastores afectados. Mas segundo o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade, “apesar de os ataques  de lobo representarem uma percentagem muito reduzida nas causas de morte dos efectivos pecuários nas regiões de ocorrência do lobo, são origem de grande parte da animosidade das populações rurais face à espécie”, que pode constituir igualmente uma ameaça. Além disso, Francisco Petrucci-Fonseca salienta que mesmo as presas domésticas estão a desaparecer, pelo despovoamento que tem havido no interior do país.</p>
<p>O habitat do lobo tem diminuído em dimensão mas também tem sido fragmentado em pedaços pela construção de grandes infraestruturas, como autoestradas, parques eólicos e barragens. Podem ser uma ameaça directa, como é o caso das vias rodoviárias, na origem de muitas mortes por atropelamento, por exemplo. Mas também uma ameaça indirecta pois a própria extensão e localização de certas infraestruturas podem provocar um desequilíbrio do ecossistema, ao impedir a livre circulação dos animais, logo, a ocorrência de processos biológicos que permitem a conservação das paisagens.</p>
<p><strong>Um indicador biológico de qualidade</strong></p>
<p>O lobo ibérico é o último grande predador em Portugal. “Por ser um predador de topo, tem um importante papel no ecossistema. Por exemplo, ao predar preferencialmente animais fracos ou doentes, mantém a população das presas num estado sanitário favorável, sejam domésticas ou selvagens”, realça Francisco Álvares, biólogo e doutorando no Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos. Este processo natural contribui, por exemplo, para que sejam os mais fortes e saudáveis a criar a geração seguinte, e assim sucessivamente. Além disso, Francisco Petrucci-Fonseca aponta para o facto de que, “nas zonas em que o homem está a deixar o campo, estão a aparecer as presas naturais do lobo. A presença do lobo pode ajudar a controlar essas populações [evitando um aumento excessivo], para ajudar o ecossistema a manter o equilíbrio.”</p>
<p>No caso de se tratar de presas domésticas, a predação pelo lobo pode também valorizar a carne desses animais. Francisco Álvares explica que, “se um ovino ou bovino é pastoreado em regime extensivo e está sujeito à predação do lobo, é porque é de boa qualidade, [além de que] cada vez mais se questiona a criação intensiva de animais para aproveitamento da carne”, explica o biólogo. Aliás, refere que o sistema já existe noutros países, mas aplicado ao urso: “A produção de mel tem um certificado de qualidade se as colmeias estão sujeitas à predação do urso porque isso significa que as colmeias estão em zonas com grande diversidade florística, e porque, se ali existe o urso, significa que o habitat está bem conservado.”</p>
<p>O mesmo vale para o lobo ibérico. Ou seja, a presença de lobo num território significa que aquele ecossistema reúne certas características, nomeadamente ser preservado, pouco humanizado, e com uma grande biodiversidade, entre outras, indicadoras da qualidade natural da zona. Como o lobo ibérico é uma espécie chamada “umbrella”, ou espécie guarda-chuva, significa que “se conservarmos um habitat onde o lobo possa sobreviver, estamos a garantir um habitat onde podem existir numerosas espécies, desde aves de rapina a flores silvestres”. Se o lobo se extinguir, Francisco Álvares afirma que “depois de se terem extinto [em Portugal] o urso e lince ibérico, estaremos a assumir que já não temos espaços naturais de grande dimensão, que são aqueles que conseguem manter esse tipo de animais. Os grandes predadores são símbolos de paisagens bem conservadas, de zonas selvagens”.</p>
<p><strong>Um atractivo turístico</strong></p>
<p>Clara Espírito Santo, licenciada em Biologia Aplicada aos Recursos Animais Terrestres, especializada em Ecoturismo e sócia-gerente de uma empresa de animação turística em Trás-os-Montes, desenvolve várias actividades relacionadas com o lobo ibérico. “O lobo pode ser um mote para trazer as pessoas a estes meios mais despovoados e para conhecerem zonas ainda muito ricas do ponto de vista natural”. Com o turismo nestas zonas, também se pretende “promover o consumo de produtos locais. [No caso da gastronomia], estamos a promover a pastorícia tradicional e a dar rendimento aos pastores”, exemplifica.</p>
<p>“Se nunca divulgarmos este tipo de programas, as pessoas não se lembram que podem existir alternativas ao sol e praia, que é o que Portugal vende”. No entanto, o “produto forte” de que fala não se limita à riqueza natural da região. É, antes, um pacote, “integrando o património natural e cultural, como a gastronomia”, cujas matérias primas são frequentemente oriundas de ecossistemas onde o lobo está presente.</p>
<p>A presença de lobo na região está também na origem da existência de fojos, armadilhas antes utilizadas para capturar o lobo, normalmente feitas de pedra, e que hoje perduram como parte do património  arquitectónico local.  Acrescentam-se também os mitos e crenças locais, “um património riquíssimo que caracteriza esta região e que tem um imenso valor turístico que não está a ser aproveitado”, afirma Clara Espírito Santo. Por isso, nos programas que desenvolve, em que os visitantes caminham pelo território do lobo ibérico, incentiva os pastores a contarem as suas histórias.</p>
<p>Francisco Álvares considera que “quando se extingue um animal biologicamente, começam a desvanecer essas crenças e a relação cultural, que também é feita da vivência diária do animal, seja porque há ataques [ao gado] ou porque alguém o vê. Por exemplo, no Alentejo, onde o lobo se extinguiu há cerca de 50 anos, a dimensão do lobo na memória colectiva das comunidades já não tem um papel tão forte.”</p>
<p>Ao estar em contacto directo com o território do lobo, Clara Espírito Santo diz que “existe um elemento de sensibilização muito forte porque pessoas estão mesmo no local”. As sensações podem, no entanto, ser contraditórias: “É um misto de curiosidade, entusiasmo e medo. Chegam a perguntar-me se é seguro andar por ali. Quando digo que raramente se vê um lobo e que, se realmente o virmos, ele foge logo, então as pessoas [sentem-se] perfeitamente seguras”. A interacção entre os lobos é uma das perguntas frequentes de quem participa nestes programas. “Porque o lobo tem uma vida social complexa e semelhante à dos seres humanos. É o pai e a mãe que têm os seus filhos. Quando crescem, os filhos abandonam a alcateia, o seio familiar, vão à procura de um companheiro e criam uma nova família num novo território. E as pessoas sentem uma proximidade maior a uma espécie quando lhes é dada esta informação”, acrescenta.</p>
<p>Tanto Francisco Petrucci-Fonseca como Clara Espírito Santo consideram que a procura de informação por parte dos cidadãos pode contribuir para a conservação do lobo ibérico. Apercebendo-se dos problemas enfrentados pela espécie, “podem [assumir] um papel mais interventivo”, afirma Clara Espírito Santo. “Costumo dizer que, se as pessoas são parte do problema, então também têm que ser parte da solução.” Associar-se a grupos que estejam a desenvolver trabalho na área, tornar-se voluntário, contribuir financeiramente para certos projectos, assinar petições, e mesmo participar em assembleias quando a construção de grandes infraestruturas está em consulta pública são algumas das suas sugestões. “Há tanta  coisa que se pode fazer.”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Julie Oliveira</p>
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		<title>Investigadora da Cooking Lab publica receitas de gastronomia molecular</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Mar 2012 10:18:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aluno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Cooking Lab]]></category>
		<category><![CDATA[Cozinha com ciência e arte]]></category>
		<category><![CDATA[Gastronomia Molecular]]></category>
		<category><![CDATA[Joana Moura]]></category>

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		<description><![CDATA[O primeiro livro português sobre cozinha criativa com aplicação de técnicas de gastronomia molecular foi apresentado, no dia 5 de Novembro, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Da autoria de Joana Moura, investigadora e representante do projecto Cooking Lab, o livro intitulado “Cozinha com ciência e arte” é acompanhado por um kit de instrumentos de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/03/caixa_1.jpg"><img class="size-medium wp-image-648 alignleft" title="caixa_1" src="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/03/caixa_1-300x265.jpg" alt="" width="201" height="176" /></a>O primeiro livro português sobre cozinha criativa com aplicação de técnicas de gastronomia molecular foi apresentado, no dia 5 de Novembro, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Da autoria de Joana Moura, investigadora e representante do projecto Cooking Lab, o livro intitulado “Cozinha com ciência e arte” é acompanhado por um <em>kit</em> de instrumentos de cozinha que inclui colheres medidoras, seringa, colher coadora, um tubo e uma pipeta.</p>
<p>Joana Moura, 36 anos, é autora dos textos e das ilustrações da publicação que, segundo a própria, pretende criar alternativas nutricionais saudáveis a produtos usados regularmente na cozinha.<br />
A obra, com uma primeira tiragem de 2500 exemplares, é uma edição da Bertrand e, para além de uma contextualização do conceito de cozinha moderna, compila 36 receitas, complementadas com fotografias, ilustrações que ajudam o leitor a seguir a receita passo a passo, e sugestões de apresentação do prato.<br />
Para Ana Noronha, directora da Agência Ciência Viva presente no lançamento, o livro exibe “coisas estranhíssimas, mas deliciosas e bonitas também”. Refere-se a petiscos como esparguete de pêssego, caviar de groselha e ovos estrelados de leite de coco,<strong> </strong>todos com receita detalhada no livro e com confecção demonstrada em pequenos workshops que decorreram depois da apresentação.</p>
<p>Este conceito de cozinha que mistura ciência, arte, tecnologia e gastronomia pretende “precisamente levar as pessoas que gostam de experimentar a divertirem os amigos nos jantares”, como refere Joana Moura. “As pessoas procuram cada vez mais ser surpreendidas e emocionar-se à mesa. A Cooking.Lab, ao disponibilizar ao público algumas técnicas de cozinha criativa, vem permitir que qualquer pessoa possa inovar em casa”.</p>
<p>A Cooking Lab é uma empresa de Inovação na área da gastronomia que desenvolve projectos de Investigação e Desenvolvimento na área das Ciências Gastronómicas. Aposta na criação de novas receitas e produtos que conjuguem a ciência e a arte e possam ser colocados no mercado. Promove regularmente acções de formação em novas técnicas de cozinha, com o objectivo de divulgar a “recente ciência da gastronomia molecular”.</p>
<p><strong>Gastronomia molecular, a “ciência da cozinha”</strong></p>
<p>“Todas as cozinhas são moleculares, uma vez que quando cozinhamos estamos a manipular moléculas”, sustenta Joana Moura. A investigadora de 36 anos trocou, em 2005, a profissão de arquitecta pela paixão da cozinha. Graduou-se em Pastelaria e em Cozinha, em França, e concluiu um Mestrado em Ciências Gastronómicas, já em Portugal. Dedica-se agora exclusivamente à Cooking Lab e à gastronomia molecular.</p>
<p>A disciplina, explica, “permite-nos cozinhar melhor, tanto numa cozinha mais tradicional como numa cozinha mais moderna, cozinhar com maior conhecimento, dominar melhor as técnicas e saber resolver alguns acidentes culinários”.</p>
<p>A gastronomia molecular estuda os fenómenos físico-químicos que ocorrem na cozinha, mas também se estende outras áreas científicas como a psicologia, estudando a percepção sensorial do acto de comer.</p>
<p><em><br />
Sílvio Mendes</em></p>
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		<title>Nova espécie para a ciência homenageia professor português</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 16:28:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aluno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma nova espécie de planta descoberta no arquipélago de São Tomé e Príncipe recebeu um nome científico que presta homenagem ao professor Jorge Paiva, da Universidade de Coimbra. A nova espécie, Dendroceros paivae, pertencente a um género raro de antóceros (plantas semelhantes a musgos), tem o seu segundo nome inspirado no apelido do eminente botânico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Uma nova espécie de planta descoberta no arquipélago de São Tomé e Príncipe recebeu um nome científico que presta homenagem ao professor Jorge Paiva, da Universidade de Coimbra.</p>
<p style="text-align: justify;">A nova espécie, <em>Dendroceros paivae</em>, pertencente a um género raro de antóceros (plantas semelhantes a musgos), tem o seu segundo nome inspirado no apelido do eminente botânico português, personalidade muito conhecida e acarinhada por toda a comunidade científica e educativa.</p>
<div id="attachment_640" class="wp-caption alignleft" style="width: 223px"><a href="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/02/xpto2.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-642" title="xpto2" src="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/02/xpto2.jpg" alt="" width="213" height="284" /></a><p class="wp-caption-text">A espécie agora descoberta, a crescer sobre uma folha de jamboeiro</p></div>
<p style="text-align: justify;">O investigador César Garcia, do Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, da Universidade de Lisboa, é o responsável pela descoberta da espécie e pela etimologia do nome atribuído, seguindo as regras da nomenclatura botânica, em latim.</p>
<p style="text-align: justify;">A homenagem feita ao professor Jorge Paiva deve-se, nas palavras de César Garcia, “à sua grande dedicação à conservação da natureza e às floras do continente europeu e africano, em particular de São Tomé e Príncipe, que estudou durante mais de 35 anos”.</p>
<p style="text-align: justify;">A descoberta da nova espécie foi feita durante uma expedição científica à ilha de São Tomé no ano de 2008. O reconhecimento da espécie como sendo nova para a ciência só foi possível após o estudo dos exemplares recolhidos e a comparação com exemplares de herbários de toda a Europa.</p>
<div id="attachment_619" class="wp-caption alignright" style="width: 331px"><a href="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/02/cesar21.jpg"><img class="size-medium wp-image-619" title="cesar2" src="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/02/cesar21-300x225.jpg" alt="" width="321" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">Lagoa Amélia, em São Tomé, local visitado por botânicos portugueses e estrangeiros desde o séc. XIX.</p></div>
<p style="text-align: justify;">São frequentes os casos em que a descoberta de uma nova espécie é aproveitada para homenagear figuras que deram um importante contributo para a ciência. Em 2006, César Garcia foi também responsável pela descoberta de uma espécie de musgo, <em>Zygodon catarinoi</em>, homenageando assim o professor Fernando Catarino, ilustre botânico da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.</p>
<p style="text-align: justify;">Gisela Gaio-Oliveira</p>
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		<title>Jardins botânicos, os fiéis guardiões da diversidade vegetal</title>
		<link>http://revistan.org/ciencia/?p=573</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Feb 2012 16:23:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aluno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao entrar no jardim botânico do MNHNC, em Lisboa, é impossível não reparar na enorme figueira australiana e no chão coberto de pequenos figos. Apesar do seu porte majestoso de árvore centenária, este exemplar comprova a fama de estranguladora da espécie: um buxo ao seu lado, já sem vida, foi vítima das raízes aéreas da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><br />
</strong></p>
<p><img class="size-medium wp-image-575 alignleft" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px;" title="OLYMPUS DIGITAL CAMERA" src="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/02/JB_Palmeiras_2003_0103AU-224x300.jpg" alt="" width="202" height="270" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ao entrar no jardim botânico do MNHNC, em Lisboa, é impossível não reparar na enorme figueira australiana e no chão coberto de pequenos figos. Apesar do seu porte majestoso de árvore centenária, este exemplar comprova a fama de estranguladora da espécie: um buxo ao seu lado, já sem vida, foi vítima das raízes aéreas da figueira.</p>
<p style="text-align: justify;">Inesquecíveis são também os míticos dragoeiros, originários das Canárias, que por se pensar que tinham sangue de dragão com propriedades medicinais, se encontram atualmente em risco de extinção. O cipreste-dos- pântanos dos EUA é paragem obrigatória, com as suas raízes a brotar do chão em busca de oxigénio, a fazer lembrar um vasto presépio.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas talvez a imagem de marca do jardim sejam as palmeiras vindas de todas as partes do mundo, compondo uma das maiores coleções da Europa de palmeiras ao ar livre. Ireneia Melo, diretora do jardim botânico, destaca a diversidade de plantas aqui existente: “É possível dar a volta ao mundo, percorrendo os quatro hectares do jardim e conhecendo espécies raras e outras muitas vezes já extintas nos locais de origem”.</p>
<p style="text-align: justify;">A atenção é desviada para a coleção de cicadófitas, plantas primitivas que existem no planeta desde o tempo dos dinossáurios e que estão atualmente ameaçadas. Este é um problema incontornável: a sobrevivência das plantas encontra-se em perigo como nunca antes tinha acontecido. “O papel mais importante dos jardins botânicos é, sem dúvida, o da conservação dos recursos genéticos”, refere Ireneia Melo. “Quando uma espécie está ameaçada na natureza, faz-se a sua propagação no jardim botânico, para se introduzir posteriormente num local onde o conjunto das condições seja melhor para a sua sobrevivência”.</p>
<p style="text-align: justify;">Maria Amélia Martins-Loução, professora universitária e coordenadora científica do banco de sementes do jardim botânico, realça a importância da investigação que é feita neste tipo de instituições: “Através da investigação é possível dar indicações precisas sobre as causas da extinção de uma espécie. Este conhecimento serve para minimizar os riscos de extinção na natureza e para definir estratégias de conservação”. Ações como esta são feitas em colaboração com outros jardins botânicos, através de redes internacionais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>OS JARDINS BOTÂNICOS NO MUNDO</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A organização <em>Botanic Garden Conservation International </em>(BGCI), com sede no Reino Unido e que congrega jardins botânicos de todo o mundo, é atualmente a maior rede internacional para a conservação das plantas. “A BGCI trabalha com os jardins botânicos para assegurar a diversidade das plantas para o bem estar da humanidade e do planeta. Nós unimos os jardins botânicos de todo o mundo, partilhamos boas práticas e desenvolvemos projetos ligados à conservação das plantas e à educação ambiental”, afirma Sara Oldfield, secretária geral da BGCI. “Uma das missões dos jardins botânicos é a de demonstrar a importância da diversidade vegetal. Continua a ser um desafio para estas instituições fazê-lo de uma forma inovadora”, conclui.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/02/Cistus_populifolius_s_populifolius_JC_2002_0423AK.jpg"><img class="size-medium wp-image-585 alignleft" title="Cistus_populifolius_s_populifolius_JC_2002_0423AK" src="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/02/Cistus_populifolius_s_populifolius_JC_2002_0423AK-300x225.jpg" alt="" width="173" height="130" /></a>A educação ambiental tem um papel central na conservação das plantas: um dos objetivos da Estratégia Global para a Conservação das Plantas (GSPC), assinada por 118 países das Nações Unidas, incluindo Portugal, é o de promover a educação e sensibilização para a diversidade vegetal, através dos mais de 3000 jardins botânicos espalhados pelo mundo. “Muitos jardins botânicos estão a desafiar as pessoas a mudarem a sua forma de pensar”, afirma Julia Wilson, diretora dos programas educativos da BGCI, “e isto é feito através de programas de educação e de conservação, que envolvem as comunidades locais. Para além do conhecimento científico, os jardins botânicos oferecem um novo paradigma para podermos viver de uma maneira mais sustentável”.</p>
<p style="text-align: justify;">O jardim botânico do MNHNC, que celebrou recentemente o seu 133o aniversário, alberga atualmente quase 1500 espécies de plantas. “Não se pretende apenas manter determinada coleção, mas também tentar aumentar a diversidade das espécies, identificá-las corretamente e colocá-las no local mais indicado, para que sirvam a demonstração botânica e para que através delas se possam abordar os graves problemas da conservação a nível mundial e local”, refere Ireneia Melo.</p>
<p style="text-align: justify;">Também o jardim botânico do MNHNC não escapou aos tempos de crise que se vivem em Portugal. “Só por milagre é possível manter o jardim”, afirma Ireneia Melo. ”É preciso recuperar estufas, caminhos, gradeamentos e lagos. Com pessoal em número insuficiente não é possível cultivar as espécies em viveiro nem tratar do enriquecimento de certas coleções”, conclui. A solução pode passar por ações de mecenato, como aconteceu com a nova sinalética interpretativa, financiada pelo Programa de Responsabilidade Social, das seguradoras do grupo Caixa Geral de Depósitos.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a situação financeira difícil do jardim botânico do MNHNC não é única: “Muitos jardins botânicos da Europa, e não só, estão a sentir o impacto da situação económica global, apesar de não haver ainda uma quantificação dessas dificuldades”, refere Sara Oldfield. A secretária geral da BGCI mantém, no entanto, o optimismo: “Apesar de tudo, tem vindo a aumentar a procura dos jardins botânicos, como refúgios naturais a visitar, mesmo em tempos de dificuldades financeiras”, refere.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/02/Cereus_uruguayanus_2003_07-16ag.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-582" title="OLYMPUS DIGITAL CAMERA" src="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/02/Cereus_uruguayanus_2003_07-16ag-300x224.jpg" alt="" width="270" height="202" /></a>Para lá da crise, as coleções existentes nos jardins botânicos continuam a encantar quem visita o jardim, seja por lazer ou por motivos relacionados com a investigação botânica. “Os jardins botânicos estão intimamente ligados às localidades onde estão inseridos e assumem um papel essencial ao fornecer um espaço onde as pessoas podem relaxar, mas também aprender e debater assuntos relacionados com as plantas”, refere Julia Wilson.</p>
<p style="text-align: justify;">Ireneia Melo partilha a sua visão do jardim botânico, a que se dedica há quatro décadas: “A diversidade das plantas existentes, a sua sábia distribuição ao longo de canteiros e caminhos, o tamanho que adquiriram ao fim de mais de um século, tudo se combina para criar uma atmosfera única, um espaço que nos transporta para fora da cidade, um local onde muitas vezes se pode ‘ouvir’ o silêncio”.</p>
<p style="text-align: justify;">Gisela Gaio-Oliveira</p>
<p style="text-align: justify;">(Fotografias de José Cardoso)</p>
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		<title>Da Física à gestão de ciência</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 17:44:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aluno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Perfil]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde muito pequeno que Carlos Varandas mostrou ter gosto pelas ciências. Primeiro queria ser médico, para não deixar morrer o seu avô materno que era o seu ídolo. Contudo, quando chegou ao nono ano do liceu, escolheu seguir engenharia e depois foi para o Instituto Superior Técnico (IST). Deixou a terra natal (Pinheiro de Coja, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/02/Foto_Carlos_Varandas1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-568" title="Foto_Carlos_Varandas" src="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/02/Foto_Carlos_Varandas1-227x300.jpg" alt="" width="143" height="188" /></a>Desde muito pequeno que Carlos Varandas mostrou ter gosto pelas ciências. Primeiro queria ser médico, para não deixar morrer o seu avô materno que era o seu ídolo. Contudo, quando chegou ao nono ano do liceu, escolheu seguir engenharia e depois foi para o Instituto Superior Técnico (IST).</p>
<p>Deixou a terra natal (Pinheiro de Coja, concelho de Tábua) aos seis anos para ir morar na Amadora, onde fez a maior parte do percurso escolar. A partir do 10º ano foi para o liceu de Oeiras, onde se deu uma grande viragem na sua vida: “Senti-me independente, porque tinha de andar de comboio e passar muito tempo fora de casa”.<br />
Por volta dos 13 anos mostrou ter alma para o negócio. “Os meus pais tinham uma padaria e eu tinha de andar a distribuir o pão, a pé, de casa em casa, pelas ruas da Amadora, a partir das seis da manhã, até à hora de ir para a escola. “Valia a pena porque comecei a ter ordenado e a gerir o meu próprio dinheiro”, lembra Carlos Varandas.<br />
Apesar de ter sido um aluno brilhante no ensino secundário, a entrada no IST não foi feita com o pé direito: “Comecei por ter más notas e a desanimar, não era aquilo que tinha idealizado para ser engenheiro, era teoria a mais para o meu gosto, comecei a passar os dias nos cafés perto do Técnico. Claro que tinha de mudar de vida, os meus pais estavam a ficar preocupados”, refere Carlos Varandas.<br />
Entretanto, encontrou António Brotas, professor de Física no IST, que o aconselhou a mudar para a Física Experimental. “Foi nesta altura que comecei a ter contacto com a Física dos Plasmas”. Participou na montagem de duas experiências de plasmas frios, uma das quais serviu de base à sua tese de doutoramento, e adquiriu experiência para desempenhar um papel de relevo nas actividades da actual Associação Euratom/IST.</p>
<p><strong>A carreira profissional</strong></p>
<p>Desde 1986, exerce funções de Investigador no Grupo de Fusão Nuclear, actualmente Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN). Em 1987, envolveu-se no projecto de instalação em Portugal de uma experiência de plasmas de fusão. Este objectivo foi concretizado com a montagem do Tokamak ISTTOK, experiência que foi construída a partir da estrutura do tokamak TORTUR, oferecido a Portugal pela Associação Euratom/FOM.</p>
<p>Um Tokamak é uma máquina, semelhante a um “donut” gigante, com grandes dimensões, que servirá um dia para produzir electricidade a partir de reacções entre o deutério e o trítio.</p>
<p>Em Outubro de 1988 coordenou a equipa de engenheiros e técnicos portugueses que em Nieuwegein (Holanda) procedeu à desmontagem do TORTUR. A partir de Janeiro de 1990 desempenhou as funções de responsável pela equipa experimental do ISTTOK, supervisionando os trabalhos de adaptação das instalações laboratoriais e a montagem do tokamak, bem como os projectos dos respectivos diagnósticos e do sistema de controlo e aquisição de dados.</p>
<p>“O seu dinamismo e perseverança foram fundamentais para a instalação de uma experiência de Fusão Nuclear no IST e no desenvolvimento do Grupo de Fusão Nuclear”, refere Fernando Serra, professor do IST e seu colega de longa data.</p>
<p>“Considero um privilégio e uma honra ter sido Director da Unidade de Investigação do Con¬trato de Associação entre a European Atomic Energy Community (Euratom) e o IST”, diz Carlos Varandas. “Primeiro porque pude continuar o trabalho iniciado pelos meus antecessores. Depois porque foi possível superar claramente os objectivos iniciais mais optimistas e conduzir o Centro de Fusão Nuclear/Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (CFN/IPFN) a um lugar de destaque entre as Associações Euratom”.</p>
<p>“O Carlos Varandas tem uma forte personalidade, orientada para os resultados, e deu à investigação em fusão nuclear, em Portugal e na Europa, o seu cunho pessoal. Sendo um pedagogo de excelência, o legado da sua gestão, motivação, energia e ‘soft-skills’ estão não só presentes em todas as actividades do IPFN, mas também têm feito escola nas várias instituições por onde tem passado”, diz Bruno Gonçalves, ex-orientando de doutoramento e actualmente seu colega no IPFN.</p>
<p>Paralelamente à sua actividade de investigador, Carlos Varandas tem mantido ao longo dos anos uma participação muito activa nos órgãos de gestão do IST. Foi presidente do Conselho Directivo, presidente do Conselho Pedagógico, vice-presidente para os Assuntos Administrativos, presidente do Departamento de Física e membro da Comissão Coordenadora do Conselho Científico.</p>
<p>Na sua passagem pelo Conselho Directivo, entre Abril de 1978 e Fevereiro de 1980, “teve um papel determinante em tornar efectivas as novas tabelas salariais criadas pelo Estatuto da Carreira Docente Universitária de 1979”, salienta Filipe Romeiras, professor do IST.</p>
<p>A nível internacional, Carlos Varandas tem, igualmente, desempenhado funções de grande relevo na gestão do Programa de Fusão da Euratom. Primeiro, foi durante dez anos o primeiro chairman do Steering Committee do “European Fusion Development Agreement”, onde a sua liderança foi fundamental para o prolongamento do Projecto JET, depois foi o primeiro Presidente do Conselho de Administração da ‘Fusion for Energy’ (F4E).</p>
<p>“Carlos, devido à sua grande experiência, conhecimentos técnicos e políticos, era hábil em levar os diversos parceiros a consenso, de uma forma firme, educada e respeitada”, refere Raymond Monk, secretário deste Conselho. Em paralelo com as duas Presidências atrás referidas, Carlos Varandas foi membro das delegações da Euratom às sucessivas fases do ITER. Este projecto que visa a construção em Cadarache (França) do primeiro reactor experimental de fusão nuclear, no quadro de uma colaboração internacional que envolve a Euratom, o Japão, os Estados Unidos, a Rússia, a China, a India e a Coreia do Sul.</p>
<p>Actualmente, é presidente do órgão de coordenação dos comités de gestão do Programa de Fusão da Euratom.</p>
<p>Maria Emília Manso, professora do IST e colega de longa data, refere que Carlos Varandas “é um líder inato, possuindo um grande sentido de estratégia, a médio e a longo prazo. Atinge quase sempre os seus objectivos, exijam eles o trabalho, o tempo e os sacrifícios que exigirem”.</p>
<p>Tendo-lhe sido reconhecido um grande mérito como cientista e gestor de ciência, foi galardoado em Dezembro de 2005, pelo então Presidente da República Jorge Sampaio, com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.</p>
<p><strong>Os hobbies e o futuro</strong></p>
<p>Fazer agricultura, cozinhar e ver televisão, principalmente o futebol e debates, são os seus hobbies favoritos. Gosta de viajar, conhecer novos locais, “mas com peso, conta e medida no que respeita à aventura”, salienta Lídia, sua mulher.<br />
“Os melhores momentos com o Carlos são vividos a preparar um arroz de grelos com enchidos ou uma massada de peixe, depois de ir comprá-los com ele ao mercado da terra, seja em Pinheiro de Coja, na Caparica ou em Maputo”, refere Horácio Fernandes, seu colega e professor do IST. “E, claro, seguir qualquer desta culinária do necessário repasto regado a tinto. Muitas vezes, esquecemos que os grandes homens também apreciam as coisas boas da vida.”</p>
<p>“No futuro as coisas não vão ser fáceis, os financiamentos para os projectos de I&amp;D vão ser cada vez mais escassos, é preciso fazer uma boa gestão de ciência e tecnologia, para poder manter o elevado prestígio científico alcançado ao longo de duas décadas de investigação em fusão nuclear controlada”, sublinha Carlos Varandas.<br />
“O Carlos soube preparar uma unidade de I&amp;D voltada para o futuro. A sua estratégia e visão criaram no IPFN o dinamismo essencial para enfrentar e ultrapassar os tempos difíceis que se avizinham”, vaticina Bruno Gonçalves.</p>
<p>Para Maria Fernanda Pinto, assessora do Presidente do IPFN, “o professor Carlos Varandas, com o seu dinamismo, dedicação, inteligência, liderança e visão estratégica tornou o então Centro de Fusão Nuclear num Instituto de reconhecido e prestígio internacional. Graças às suas inquestionáveis qualidades e à sua perseverança, conduziu o IPFN ao que actualmente é”.</p>
<p>Carlos Silva, investigador do IPFN, resume o perfil: “Devemos ao Carlos Varandas grande parte do protagonismo que Portugal tem no mundo da fusão nuclear controlada. O reconhecimento da sua qualidade de liderança, proporcionou-lhe muitas funções de relevo a nível internacional. Para além do inequívoco papel como cientista e gestor de ciência, não podemos esquecer as suas qualidades pessoais. Sempre lutou pela qualificação e reconhecimento dos investigadores e funcionários do IPFN, mostrando especial atenção aos problemas pessoais de cada um”.</p>
<p><strong>Carmo Nunes</strong></p>
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		<title>Portugal está a Encolher</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 15:33:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aluno</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geologia]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>

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		<description><![CDATA[É mais uma manhã de inverno. São cerca das 10h00. O sol brilha e o calorzinho começa a fazer-se sentir. O mar está calmo. Desliza pelas pedras. “Parece mansinho, não é? Não tarda nada o mar já está a chegar outra vez à rua e a fazer estragos. Quando vierem as marés vivas vai ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/02/Furadouro-2000.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-557" title="Furadouro 2000" src="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/02/Furadouro-2000-300x219.jpg" alt="Vista aérea do Furadouro no ano 2000" width="300" height="219" /></a>É mais uma manhã de inverno. São cerca das 10h00. O sol brilha e o calorzinho começa a fazer-se sentir. O mar está calmo. Desliza pelas pedras. “Parece mansinho, não é? Não tarda nada o mar já está a chegar outra vez à rua e a fazer estragos. Quando vierem as marés vivas vai ser lindo&#8221; diz Manuela Folha, 58 anos. Manuela sempre foi peixeira e lembra-se bem da “sua” praia do Furadouro. Segura num quadro que costuma estar pendurado na parede da sua peixaria. “Pode ser que algum freguês importante, lá das políticas, venha cá e olhe para ele”.</p>
<p>O quadro é uma fotografia do Furadouro há seis anos atrás. Ninguém diria que é a mesma praia. Não tem pedras, tem um areal de perder de vista. Esta é mais uma de tantas praias do nosso país que sofre com a subida do nível do mar.</p>
<p>A faixa costeira mundial totaliza apenas 500 000 km de comprimento mas alberga cerca de 80 por cento da população mundial. A maioria dos centros de decisão económica, política e industrial localiza-se nesta área marginal dos continentes. Mas estas zonas não são estáticas. O litoral evolui. Basta lembrar a extensão de areal que o Furadouro tinha há uma década atrás e comparar com a situação nos nossos dias. A diferença é constrangedora. Mas não é preciso ir tão longe. Podemos fazer o mesmo exercício se pensarmos na situação apenas há dois ou três anos atrás, e o resultado não é muito diferente.</p>
<p><strong>SENSIBILIZAR POPULAÇÕES E ENTIDADES ADMINISTRATIVAS PARA A GRAVIDADE DESTE TEMA</strong></p>
<p>Raúl Almeida, deputado do CDS pelo círculo eleitoral de Aveiro, foi dos primeiros políticos a levantar a questão do ordenamento do território na Assembleia da República. Não obteve nenhuma resposta do Ministério do Ambiente do então governo de José Sócrates.</p>
<p>Mais recentemente Paulo Cavaleiro, deputado do PSD pelo mesmo círculo eleitoral, retoma o problema da erosão costeira. Dando como exemplo os problemas que se colocam ao concelho de Ovar, falando na discussão do Orçamento de Estado (OE) na especialidade, o parlamentar quis conhecer o ponto da situação relativamente ao estudo que definirá uma intervenção de fundo em toda a costa. Paulo Cavaleiro é da opinião de haver uma “visão geral do problema, em vez de uma visão demasiado parcelar com pedidos de pareceres a universidades num âmbito restrito para este ou aquele troço de costa”. Paulo Cavaleiro relembrou o problema do Furadouro, onde pouco tempo depois de se realizarem trabalhos de vários milhões, o mar galgou a obra e veio para a rua e casas da marginal.</p>
<p>Veloso Gomes, engenheiro civil e professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto questiona a expansão de frentes urbanas em zonas críticas pois “expõe essas construções a níveis de risco elevados, o que se tenta contrariar com intervenções de defesa costeira que têm limitações funcionais e impactes negativos. &#8220;De forma clara aponta que “a linha da costa não atingiu um novo equilíbrio e os problemas continuarão, ou agravar-se-ão. As alterações climáticas serão mais gravosas para a segurança das frentes edificadas que vão ser insustentáveis a médio e longo termo” conclui.</p>
<p>Mas a pressão turística é forte. No dia Europeu do Mar foi inaugurada uma unidade hoteleira em plena praia do Furadouro. “Como esta região costeira é relativamente pobre, é o deixa andar. Não vêm isso noutras praias. Espinho tem o casino e Matosinhos o porto comercial e de pesca. São outros interesses” diz João Paulo, instrutor da uma escola de surf do Furadouro.</p>
<p>A Associação “Os Amigos do Cáster” tem desenvolvido inúmeras atividades e eventos no sentido de sensibilizar populações e entidades administrativas para o grave problema que o Furadouro enfrenta. Conscientes da importância das dunas como medida de prevenção do avanço do mar, desenvolveram, em 2010, uma campanha, “Salvem as Dunas”, com a exclusiva colaboração da Administração da Região Hidrográfica do Centro (ARH-Centro). Os resultados estão à vista: conseguiram recuperar a vedação da zona dunar Norte da Praia do Furadouro.</p>
<p><strong>PLANOS DE ORDENAMENTO<a href="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/02/Furadouro-2011.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-560" title="Furadouro 2011" src="http://revistan.org/ciencia/wp-content/uploads/2012/02/Furadouro-2011-300x225.jpg" alt="Furadouro 2011" width="300" height="225" /></a></strong></p>
<p>O avanço do mar tem sido um dos graves problemas do Furadouro. Todos os anos, moradores e comerciantes têm os corações nas mãos com a possibilidade do mar galgar o paredão e entrar nos estabelecimentos e nas habitações, provocando estragos. “Já nem sei a quantidade de dinheiro que enterrei aqui a arranjar o que o mar estraga” diz Emília Cunha, proprietária de um restaurante situado em frente ao mar. Várias intervenções foram feitas para tentar travar a força e o avanço do mar, mas, até ao momento, as respostas dadas têm-se mostrado insuficientes para resolver a situação.</p>
<p>Durante o Inverno de 2011 a Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Centro executou a empreitada da primeira fase da defesa longitudinal da praia do Furadouro, sob o olhar atento e desconfiado de alguns moradores, que todos os dias se aglomeravam no local para ver o desenrolar das obras. Foram gastos inicialmente 310 mil euros que vieram da candidatura ao Programa Operacional de Valorização do Território (POVT). Fez-se o prolongamento, para norte, da estrutura da proteção já existente. Pretendia-se limitar a ação das ondas diminuindo o volume dos galgamentos no passeio marítimo e a zona superior da praia. Mas não resultou. “Ninguém se entende. Parece que andam a tapar buracos” afirma Emília Cunha. “Há cerca de 30 anos construíram um esporão ali mais abaixo” diz apontando para o que resta dessa obra. “Mais tarde tiraram essas pedras e construíram outro ali mais a cima e este paredão que está aqui à nossa frente”. O paredão corresponde a uma estrutura aderente soterrada na praia que funciona de reforço da costa a norte do esporão, permitindo, não só a proteção da marginal, mas também das edificações existentes.</p>
<p>Nas Grandes Opções de Planos e Orçamento, existe agora uma verba destinada à concretização de um estudo sobre esta matéria. Por outro lado, a adjudicação da revisão do Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) entre Ovar e a Marinha Grande, à Universidade de Aveiro, deu inicio, a nível nacional, a uma segunda geração de planos para as zonas costeiras.</p>
<p>“Pois, só estudam. Deviam era ter mais ação” afirma António o Alentejano, pescador nestas águas. “O mar nesta altura já nos está a visar andando já na avenida e destruindo o muro da praia em frente à Capitania” diz apontando para o muro. “Deviam era aumentar os esporões que já cá estão e construir um outro. Se pararem agora foi dinheiro mal gasto pois a destruição vai continuar”. O construtor do novo paredão, os Irmãos Cavaco, deu uma garantia de 5 anos. “Pois, pois. Como se o mar desse garantias” diz o pescador enquanto compõe as suas redes de pesca.</p>
<p>A Câmara de Ovar, quando questionada sobre o atual ponto da situação remeteu para o Ministério do Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Instituto Nacional da Água (INAG) e para a Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Centro, uma vez que são as entidades com competência e responsabilidade na área. O Município de Ovar tem insistido junto das referidas entidades com vista à resolução do problema que todos os anos, especialmente no Inverno, tem assolado o Concelho de Ovar e que tem colocado em risco pessoas e infraestruturas.</p>
<p>Chega um cliente à peixaria. Manuela Folha coloca novamente o quadro no seu lugar. “E o que deseja menina? O peixe é fresquinho e é da nossa costa.”</p>
<p>Marta Azevedo</p>
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